A peça


Ato 2, Cena 1
              Personagens: Maria e Telmo
            Didascálias: Apresentam estados de espírito, pequenas ações e no final, o aparecer de uma nova personagem que não é sentida (mudança de cena).
            Contextualização: 1ª cena depois da fuga do palácio de D. Manuel de Sousa e cena anterior à revelação de quem é D. João de Portugal a Maria.
            Espaço: Salão Antigo do palácio de D. João de Portugal, em Almada.
            Importância: Esta cena é importante porque é aqui que se dá a entender o motivo da fuga para a casa de D. João de Portugal e o medo que isso traz a algumas personagens. Percebemos o motivo do estado de Dª. Madalena e começamos a sentir o terror devido ao agouro e presságio da volta de D. João de Portugal.
            Observamos aqui também a presença de duas personagens importantes e lendárias que ficaram para a história e o quanto influenciavam as personagens.
            Imagem que Telmo passa a ter de Manuel de Sousa: Telmo passa a ver Manuel de Sousa como um verdadeiro homem, pois este teve coragem de destruir e queimar sua casa e tudo aquilo que era seu e do qual tinha gosto, num momento de fuga "para dar um exemplo de liberdade", para que os tiranos tomassem aquilo que era seu.
            Efeitos do incêndio em Maria e Madalena:
                        Maria - Toma o acontecimento como um espetáculo sublime, uma maravilha e uma grandiosidade ao qual vira outro de igual majestade. Toma também como um sinal de aviso da desgraça que cai sobre seus pais.
                        Madalena - Um terror. Torna-se para ela o pesadelo dos seus sonhos. Custa-lhe a adormecer pois não consegue para de imaginar o cenário de destruição da casa onde morava com seu amado. Toma o acontecimento como um agouro ao queimar-se o retrato do seu falecido marido, D. João de Portugal, pois acha que tem como consequência a sua separação.
            Presença do nacionalismo na obra: O nacionalismo reflete-se na obra ao sabermos que os quadros que estão expostos no salão antigo são o de S. Sebastião, o rei de Portugal que todos ansiavam que um dia voltasse e o qual todos amavam.
            Observa-se também o nacionalismo quando existe a presença de uma homenagem por um escritor português, Luís de Camões, num quadro igualmente exposto ao de D. Sebastião e do dono do palácio, D. João de Portugal.
            Personagem a caracterizar: Maria

            Maria é uma menina que por natureza é muito inteligente. É muito atenta e culta e por consequência muito curiosa com o que lhe rodeia. Torna-se exigente com os outros por querer saber quem é a pessoa que tanto mete medo a seus pais, o que a deixa preocupada e a faz querer cuidar de sua mãe para a proteger. Anseia e receia a chegada de D. João de Portugal pelo desconhecimento que tem dele. É frágil devido à sua doença (tuberculose).



Acto 2, cenas 2 e 3

cena II

Anteriormente à cena II, Telmo e Maria conversam sobre o que tem acontecido nos últimos dias.

Na cena em análise, cena II, constam as seguintes personagens: Maria, Telmo e Manuel de Sousa. Esta cena inicia-se com a preocupação de Maria para com Manuel de Sousa, ficando mais calma depois de Telmo a avisar que esteve no convento e sabe que está tudo concluido, que os espanhóis já não perseguem Manuel por este ter incendiado a sua casa de propósito. Em seguida o pai, Manuel de Sousa, preocupa-se com a sua mulher e após saber como ela se encontra, vira a sua preocupação para Maria, que observa e sente que ela está com febre. Depois tenta animá-la e aconselha-a a descansar.
Nesta cena existem didascálias, que servem para demonstrar o comportamento que podemos observar durante a cena.

Na cena III, as personagens são as mesmas menos o criado, Telmo. Nesta cena, temos Manuel de Sousa a reconfortar Maria, elogiando-a, dizendo-lhe que ela tinha uma grande propensão para encontrar maravilhas e mistérios nas coisas mais naturais e singelas, entre outros elogios que a deixaram mais feliz.
As didascálias refletem mais uma vez o interesse de Maria no quadro de D.João.

Na próxima cena, cena IV, Maria insiste para Manuel de Sousa a levar à capital. Frei Jorge, de certa forma, ajuda-a a ir.



Caracterização de Maria

Maria, filha de Madalena e Manuel de Sousa, era uma rapariga frágil, sensível como podemos comprovar na cena II, quando esta está com febre e seu pai repara nisso. Persistente e inteligente, como está presente na cena IV, quando queria ir com Manuel de Sousa para Lisboa.


É também uma criança curiosa, mostrando vontade de saber quem é o cavaleiro retratado no quadro de D. João de Portugal. 



Acto II

Cena V
Na cena V estão presentes as seguintes personagens: Madalena, Manuel, Jorge e Maria. Fala-se principalmente sobre o facto de Madalena já estar a sentir-se melhor depois de se ter sentido mal uns dias, desde que voltou para a antiga casa. E Manuel de Sousa avisa Madalena que tem de ir a Lisboa agradecer ao arcebispo por ter ido falar sobre o que tinha acontecido à casa à qual Manuel pegou fogo. Maria diz à mãe que também quer ir, mas Madalena fica com medo pelo facto de ser deixada sozinha, e por ser sexta-feira, o dia em que ela casou com D. João de Portugal. Jorge disse que ele ficava com Madalena.

Cena VI
As personagens presentes são Manuel e Madalena. Nesta cena reforçam a ideia de que Maria quer ir com ele para Lisboa porque iria fazer-lhe bem sair de casa. Ele afirma também que a febre de Maria é muito maior e está ficando pior. Madalena diz que Telmo também tem de ir, pois não o quer em casa

 Cena VII
Maria e seu pai preparam-se para sair e despedem-se de Madalena, que está a chorar de solidão e de medo. Madalena pediu para os criados terem cuidado com Maria pois ela é um ser muito frágil que precisa de ter cuidado com a sua saúde.



Nestas cenas temos o manifesto de romantismo através de alguns comportamentos e falas realizadas pelas personagens, como o patriotismo e nacionalismo, pelo comportamento de Manuel de Sousa Coutinho ao incendiar o seu próprio palácio para impedir que fosse ocupado pelos Governadores Espanhóis. Depois temos os manifestos executados pela Madalena de crenças e superstições pois pelo fato de ser uma sexta-feira o dia em que ela casou com o D. João de Portugal e que ela estava com medo que ele voltasse. Temos também uma grande influência da religião e a igreja uma referência de todas as personagens; note-se, no entanto, a religiosidade de Manuel de Sousa Coutinho. 




Acto III: Parte baixa do palácio de D. João de Portugal.

Resumo

Acto III - Na cena IV Telmo mostra-se mudado que não sabe se há-de ficar do lado da sua “filha” ou do seu “filho”, dividido pelo passado e pelo presente, oferece a sua vida pela de Maria. Telmo reconhece no Romeiro (cena V), a voz de D. João de Portugal. Romeiro pede a Telmo que o ajude a evitar a desgraça da família, ordenando que dia que o Romeiro é um impostor. Na cena VI, D. João de Portugal ilude-se que ouvindo Madalena a chamar pelo marido, pensou que poderia ser para ele, na cena VII, Telmo transmite a Frei Jorge o “recado” que o Romeiro lhe pediu, porém Jorge não permite que seja dado.

Caracterização de Telmo:

Telmo pais, o velho criado de D. João de Portugal bem como seu conselheiro e confidente, define-se pela lealdade e fidelidade que nele se apresenta. Não quer nem pretende a desgraça da família de D. Madalena, porém acredita que D. João irá regressar, pelo que o mito dizia, no final reconhece que afinal esse amor ao amo que tanto gostava, fora suplementado pelo de uma “outra filha “.



Fig.1 - 

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